Se me apetece chorar? Se me apetece morrer? Não, apenas gostaria de não ter este peso enorme no meu coração e poder gritar bem alto que já não és nada para mim. Mas não, não o posso fazer, pois estaria a mentir, estaria a enganar-me e não o posso fazer.
A paixão teve o poder de me fazer sonhar, mas a minha pura racionalidade sabia que nunca daria em nada, por isso é que não está a custar muito. Apenas o suficiente para cada vez que ouço aquela música o meu coração se apertar de tal forma que parece sair do meu peito e que vai voar para bem longe. Era isso que precisava que me acontecesse, voar para bem longe. Mas não mais em tua companhia e não mais voltar, apenas eu, num voo solitário e libertador, libertador de forma que pudesse tirar-te de mim e não mais suspirar em vão.
Quero poder libertar-me das amarras desta paixão arrebatadora, que começou por tão pouco e que ainda relembro o primeiro momento em que te vi, e pensei para mim o quão tu eras lindo. Quero poder libertar-me do teu perfume que ainda percorre as minhas veias. Quero poder arranjar um outro sol para iluminar meu caminho e meu pensamento. Quero poder acordar e estar livre desse meu pensamento inato e inocente. Quero poder rejuvenescer de qualquer forma, de novo se for possível. Quero poder dançar até cair, numa dança levitante e só. Dançar sem te amar, dançar sem ter medo, dançar sem meu pensamento te pertencer. Quero tanta coisa e não quero nada.
E sim, um dia vou poder chegar ao cimo desta montanha, que se apresentou como um maligno desafio, e vou poder gritar bem alto que já nada sinto, a não ser que a construção desta bela amizade valeu a pena.
Toda esta jornada me fez crescer como pessoa e me fez perceber que és mesmo um bom menino, que vai sempre pertencer às páginas deste livro, que não vai ter fim, e vai ficar guardado na biblioteca das boas recordações.
Um dogma? Sim ele existe. Vais ser sempre alguém muito especial para mim!