Naquele momento o meu coração duplicou de tamanho, vi o futuro num instante e pensei: isto não pode ser verdade, é impossível sentir tanta paz, tanta serenidade. De repente eu já não tinha ossos nem cartilagem, era toda feita de mel. Do peito escorria-me amor, a cabeça fervilhava de ideias, a alma consumia-se na mais deliciosa das paixões.
Não queria acreditar que tinhas voado até mim. Na manhã seguinte, eu era um ser cheio de vida e de luz. Acordei já de olhos abertos e com o coração cheio. Apetecia-me rir até não poder mais, gritar até ficar sem voz e correr até ficar sem fôlego!
Sim, houveram horas em que a tua ausência dava cabo de mim. Por incrível que parecesse, tinha saudades do que tínhamos passado, do que dissemos e do que senti. Perguntava-me a toda a hora: É possível ter tantas saudades? Tinha saudades a todo momento!
Os dias eram submersos em recordações e saudades, sonhava calada tudo o que queria e ansiava ter, mais o que merecia mas não alcançava. Pois tudo o que é verdadeiramente difícil, dá outro sabor à vida. E assim vivia, podia até não ser aquilo que estava certo, mas era aquilo que EU queria! Gostava muito, daquela maneira de ser, de agir, de tudo! Mas não amava, simplesmente gostava! E para quê condicionar essa minha vontade, se dela podia fazer o nosso mundo brilhar?
Mas saudades acabaram por terminar, quando voltei a ver novamente aquele sorriso fantástico que perseguia o meu pensar! Foram tão bons momentos, aqueles que passamos. É o que sempre vou sentir daquele nosso passado, e são tantas as vezes em que penso nele, e reflicto e logo encontro uma explicação válida: só damos valor as coisas quando já não as temos.

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